Hoje vi uma ave de rapina voando estranhamente no meandros desta confusão de anthropos.
Tenho meditado incessantemente à cerca do método que Tolstoi nos apresenta, através do padre Sérgio, para desviar a nossa cabeça da perdição, da paixão, do pecado - aquele método segundo o qual, mediante uma situação de desespero, de descontrolo, cortamos um dedo de forma a que todo o nosso pensamento esteja absolutamente focado na dor. Ando fascinada com tudo o que tenho lido.
Este ano passo o Natal com a minha família em Vale de Penela
20.12.10
O meu computador regressou a casa. Já sentia saudades - que ridículo!
Entretanto tenho dedicado estes dias ao verbo dormir.. Ando num estado pouco menos que vegetativo.
No entanto, está a chegar a festa da minha Inês, e eu mal posso esperar. Aproveito e deixo aqui isto:
Se eu deixar que me profanes a mente (já de si pouco sã), posso alegar que és o Diabo ?
Poderei dizer uma oração baixinho e alvejar-te o peito, tal como fez Evgueni Irtenév, mas com palavras ?
Posso, finalmente, procurar absolvição na tua morte ?
Será que as respostas virão quando eu conhecer a história do Padre Sérgio até ao fim ?
________,,_______________
Um pequeno à parte : Minha gente, a rádio CLF está cada vez mais perto. Visitem radioclf.blogspot.com
12.12.10
Na sexta feira à noite actuei na Fnac do Gaia shopping com os combos da Escola de Jazz do Porto - é muito provavelmente das melhores sensações do mundo.
O dia de ontem foi o caos.. Não quero ver putos à minha frente nos próximos tempos, mas a verdade é que adorei estar com eles.
Percorro os dias numa ânsia de chegar ao fim. ao fim da hora, do dia. ao fim do capítulo. ao fim da Morte de Ivan Ilich. E condeno-me, tal como Ivan se condena.
7.12.10
Há tolos que nunca saberão o sabor do desleixo, o prazer de uma calçada fora de horas.
Nunca descobrirão o valor do que não é usual e o quanto se aprende ao não fazer [ aparentemente ] nada.
Há quem viva ainda sem o bálsamo de uma fuga.
Cada vez mais me convenço que é o equilíbrio que faz a diferença.
6.12.10
Divago entre genética, estudos de Mendel, cruzamentos parentais, ligações factoriais e etceteras que poderiam ser interessantíssimos noutro dia qualquer mas não hoje. Tenho aqui os Blues, o John Lee Hooker a puxar-me do meu lado esquerdo e não sei o que fazer - porque não me apetece muito mandá-lo embora.
Fito qualquer figura dinâmica em contraluz, como se fosse um escape. Fecho os olhos e deixo cair a cabeça. Está pesada, preciso Caminhar. Anda comigo, vamos os dois... O que fazemos aqui afinal?
A estrada é infinita e eu sei que temos tempo, mas porque é que esperamos?
4.12.10
Foi num dia destes que te conheci. Enquanto me mostravas o sabor das gostas de chuva.
Foi num destes dias em que se medita sobre a morte como numa novela de literatura russa.
Esqueci completamente que o mundo desabava tempestuosamente sobre a minha cabeça e que os abutres sobrevoavam em rota circular, adivinhando já a carne pútrida que eu anunciava.
Foi num dia assim, triste, cinzento, que colheste folhas secas como recordações antigas cheias de significado.
Foi assim que soube quem tu eras, pela luz da tua figura num dia de fracasso.
Remotas memórias
Saltitam, Pululam.
Cheiros, odores,miragens
O café, o sorriso
"Olá, como está?"
E outras encenações
A novidade:
A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal
Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha, navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?
A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha, copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos, vinhos de Torres
Jogging de Marvila
Domingo
Especialmente domingo
Barbeados, dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio, moderno, kitch, mau gosto
12 cordas, mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos, enjaulados
Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso
E a Lisnave petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas
E eu impotente, cinemascope, 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente
Paga-se a saudade com cartão de crédito
Táxi, leva-me para onde está o meu amor
Táxi, leva-me para lá de mim
Táxi, atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios.
Música por Samuel Mira (Sam the Kid), em Practica(mente)
A miúda afinal é esperta. É atenta.
A miúda afinal tem bom gosto, é interessante e sabe do que fala.
Afinal é mesmo assim, apenas estranha...
Afinal gosto mesmo dela.
Justamente quando ia recomeçar a ler a cópia de "A confissão de Lúcio" (que comprei faz muito tempo na Lello) me apercebi que não sei onde a pousei. Não me lembro da última vez que a perdi.
E simplesmente não se pode ler um livro desta forma negligente: sem lhe darmos o devido carinho, a devida atenção, uma certa sensação de necessidade e dependência, sem nos deixarmos apaixonar, envolver, sem sugar as palavras como se saciássemos uma sede, como se nos rendêssemos a um vício. Não se pode ler recomeçando as primeiras páginas vezes e vezes sem conta.
Desculpe, Mário Sá (Carneiro), isto não está bem e não lhe faz justiça...
22.11.10
Faz tempo e continuas linda.
Estás ainda mais bonita, arriscaria dizer. Dás-me uma certa vontade de te comer o cérebro com esparguete, de te beber o espectro, de fumar a tua carne. Meu deus, como és linda. Lembrei agora que quando era mais novo havia uma coisa muito bonita que era a sedução.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
(...)
Àlvaro de Campos
17.11.10
" Eu não pertenço a nenhuma das
gerações revolucionárias. Eu pertenço a
uma geração construtiva.
(...)
Para criar a pátria portuguesa do século XX não são necessárias fórmulas nem
teorias; existe apenas uma imposição urgente: Se sois homens sede Homens, se sois
mulheres sede Mulheres da vossa época.
Vós, ó portugueses da minha geração, que, como eu, não tendes culpa nenhuma de
serdes portugueses.
Insultai o perigo.
Atirai-vos prà glória da aventura.
Desejai o record.
Dispensai as pacíficas e coxas recompensas da longevidade.
Divinizai o Orgulho.
Rezai a Luxúria.
Fazei predominar os sentimentos fortes sobre os agradáveis.
Tende a arrogância dos sãos e dos completos.
Fazei a apologia da Força e da Inteligência.
Fazei despertar o cérebro espontaneamente genial da Raça Latina.
Tentai vós mesmos o Homem Definitivo.
Abandonai os políticos de todas as opiniões: o patriotismo condicional degenera e
suja; o patriotismo desinteressado glorifica e lava.
Fazei a apoteose dos Vencedores, seja qual for o sentido, basta que sejam
Vencedores. Ajudai a morrer os vencidos.
Gritai nas razões das vossas existências que tendes direito a uma pátria civilizada.
Aproveitai sobretudo este momento único em que a guerra da Europa vos convida
a entrardes prà Civilização.
O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades
e todos os defeitos. Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades."
José de Alamada Negreiros, Ultimatum futurista às gerações portuguesas do séc.XX
Sabes bem que continuarás assim , até ao fim dos dias - um cobarde vulnerável ao medo do falhanço, tal como Ricardo Reis. Serás o eterno perseguidor da mediocridade, um conformado - triste, quase repugnante. Um fugitivo de ti próprio, tentarás a todo custo apagar as pegadas de um caminho que nunca te permitiste, que nunca percorreste mas que desejaste mais do qualquer outro, de uma vida que nunca viveste, de uma existência focada na efémera sobreviência. Camuflarás, como sempre, a falta de coragem de viver com Epicuro, Zenão e a busca de uma falsa ataraxia. Mas nunca estarás verdadeiramente tranquilo. Nunca viverás absorto de todas as crenças que não te permites ter, quanto mais ser capaz de um niilismo total.
Serás, para sempre, um condenado das horas vagas que te impões.
Reconheço: O blogue anda adormecido, como um pé com formigueiro.
A verdade é que já não o actualizo desde o dia 24. Andei por aí a visitar alguns, e muitos se encontram na mesma situação - mas não, não vou utilizar outros maus exemplos para justificar o meu, até porque não fica nada justificado - é apenas uma manobra de diversão para desviar as atenções.
Na realidade, venho reconhecer a imaturidade de não ser capaz de manter este sítio e dizer umas coisas. Mais do que reconhecê-lo venho fazer alguma coisa em relação a isso, pela simples razão de que este lugar tem um efeito terapêutico - nunca encarei o Mentalfetaminas como uma actividade obrigatória mas sim um pequeno projecto pessoal, apaixonado. Fundamentalmente, incomoda-me a ideia deste desleixo em relação a algo que sempre adorei que é escrever, e as razões que fomentam o mesmo ( a minha mãe chama-lhe sostrice )
Entretanto, o mundo não pára. Gastam-se balúrdios em blindados de guerra para a cimeira da Nato que nem sequer chegarão a tempo da mesma, o FCP sente-se generoso e oferece simpaticamente 5 ao Benfica, gera-se o primeiro mini Big-Bang no CERN, cria-se um fígado num laboratório português, uma jovem promete aos escassos leitores do seu blogue e, principalmente, a si mesma uma narração mais regular dos pequenos fenómenos do mundo.
24.10.10
Encontrei hoje, no meio da entropia característica dos meus ficheiros de computador, um texto que escrevi para o " Sobre Mim " de introdução ao portefólio de inglês :
My name is Renata Manuel Moreira de Sá Cruz. I would like to explain the reason why my first and second names are Renata Manuel : Renata because my grandfother's name (my mother's father) was Renato,and Manuel because my father's father, my gradfather's name is Manuel. Also, Renata means 'reborn', which reminds me of a creature I admire very much - the phoenix.
I was born, in Porto, Portugal, in a very hot Summer day - 22 July, to be precise, of 1993.
Since I was very little I've always felt very passionate about the sea. Also, I love music - These are probably my two biggest passions.
I like creative writting, that's the major reason why I decided to create a blog - Mentalfetaminas.com. I love poetry, and I try to read as much as I can.
My favourite subject is Biology, specially Genetics and Evolution - I'm currently reading a book on the matter, by the author Richard Dawkins.
I'm a pilgrim to Santiago de Compostela, and I try to keep that in mind every single day of my life. Mainly because ( and call me teen and naive, but ) I genually believe that it is my duty and purpose to try to make a change - in our world, or at least in my world. I believe that we must be more active - We must think outside the box, beyond our regular everyday questions. We must challenge ourselves to reflect about the most dogmatic ideas and the most philosophical questions that maybe we will never answer. I genually believe we must not be just bodies, trying to survive with the best quality life possible, we must not be passive because then we are not living - we are delusionally surviving.
In conclusion, though I believe that Biologically the existance of our species as no purpose, as no other - it is the result of Evolution and Natural Selection - this must not be understood as a negative perspective of Humankind. I believe the Biological concept gives us the freedom to understand that our purpose is to find new, responsible, rational, weighted but passionate ways to give our lives the so called "meaning" that we all fell we pursuit. Our purpouse is to create the purpose, to make our counscience work as a positive tool, because I believe human beings are, in fact, beautiful.
Das coisas que mais adoro é rever documentos antigos. Caixas de fotografias, textos, cartas, desenhos... Sabe-me tão bem um Domingo cinzento passado no sofá, sabem-me tão bem estas tardes em que assistimos a metamorfoses na lenta passagem das horas ...
Intriga-me esta gente acabada de conhecer com quem se partilham histórias , nos jardins da Cordoaria - ou noutro sítio qualquer.
Gente para a qual o ócio se vai tornando lentamente enjoativo, talvez.
Gente com quem se está na boa, mas que me espanta por não estar farta de estar na boa.
Vaguear é prazer quando não o fazemos eternamente. Improvisar é fascinante quando o improviso não é permanente.
Dou valor àqueles bancos , àquelas ruas, àquelas eesculturas de Muñoz, àqueles cafés, àquelas praças, àqueles desconhecidos que se conhecem - porque não são o meu todo o dia, todos os dias.
Ouvia hoje o Alcino, um desses desconhecidos que se conhecem... Estava com o desconhecido Tito e o desconhecido Mário. Mas o desconhecido Tito e o desconhecido Mário tinham qualquer coisa na cabeça.
O Alcino não - e não digo isto por mal. Eu explico :
O Alcino estava com uma grande moca, o Alcino vive com uma grande moca, aliás - o Alcino é uma moquinha só.
O Alcino não faz nada - vai vivendo pelas ruas em que eu vou passando, vai cantando e tocando mal , ganhando uns trocos , vai alimentando uma vida oca, com uma alegria oca.
É daquelas pessoas com quem se passa uma boa tarde, ou uma boa noite. O Alcino é uma pessoa boa, provavelmente. Mas é uma pessoa oca, que vive com a moca.
Algo me diz que não suportaria viver como o Alcino ...
Imagino o sabor a café, provavelmente amargo. Cheiro o tabaco que se queima na ponta dos dedos.
Vejo-o sentado, o pé direito sobre o joelho esquerdo. Sobre as pernas um caderno, na cabeça um chapéu.
Uma figura - nada mais do que uma presença ténue. Uma sombra esguia e escura que observa o rodopio do mundo, mergulhando, divagando dentro de si próprio.
Atribuo-lhe a infantilidade de uma criança presa no corpo, na vida de um adulto vulnerável à passagem dos dias. Na mesma alma vejo opostos - sentimentos que em nenhuma outra se cruzariam.
Sinto-lhe a paixão assombrada por um vazio. Sinto-lhe a alegria e, ao mesmo tempo, a decadência.
Sinto-lhe a ânsia de um geniozinho precoce.
Na mesma sombra vejo vultos, vultos de outras almas. É isto que despoleta toda a entropia do pensamento.
E sobreviver a isto só sendo poeta - só sendo capaz de gerar sanidade a partir da própria loucura.
Conquistou-me na página 23.
Foi assim que tudo começou. Foi por aí que comecei a lê-lo. E ainda dizem que no princípio era o Verbo - não. no princípio era o 23 , e esta minha manha obsessiva-compulsiva.
Foi por aí, numa qualquer livraria, numa qualquer rua de Barcelona, que mais uma vez te encontrei - acredites ou não - nas páginas de um livro.
Dizia assim Y tú, ¿de qué lado de mi cuerpo estabas, alma, que no me socorrías?
[ Foi aí mesmo, aos meus pés, que caiu uma gota de solução aquosa de cloreto de sódio - eras tu , nessa gota ]
Eras tu, na página 23.
E eu comprei No amanece el cantor de José Angel Valente.
17.9.10
Back to the uptight room, to the uptight noise. Back to the uptight smiles, to the uptight clothes, to the uptight thoughts surrounding. Back to the uptight days, to the uptight books, to the uptight school, the uptight people.
Back to the uptight life, from which only the free black streets of this free black city can save me. They heal me a little in every stone, in every path .
Back to the uptight soul that i undress everytime the sun dies - Slowly.
Vida , permite que me considere infinitamente pequeno.
Permite que construa a minha Casa permanentemente. Permite que nunca me esqueça que te pertenço, Vida.
Permite-me compreender que faço parte de algo maior. Vida, mostra-me os Teus Caminhos.
Ensina-me que a grande sabedoria recai sobra a capacidade de apreciar a rotina que me permites. Vida, ensina-me que não vivi todas as coisas. Vida, corrige-me quando achar que já tenho tudo. Mostra-me como é saber amar cada momento repetitivo e não apenas o longe e a miragem.
Vida, faz-me perceber que me devo amar a mim próprio para poder amar o próximo.
Protege-me da reflexão exagerada, destrutiva. Vida, proíbe que alguma vez tenha pena de mim próprio.
Permite que sinta frequentemente que a vontade de ficar ultrapassa a vontade de partir para regressar.
Vida, permite que me sinta astronomicamente grande. Permite, que me sinta parte da beleza da natureza em harmonia com o Universo.
No dia em que completo 17 penso que quem está de parabéns não sou ( só ) eu.
À minha mãe e ao meu pai ( que me vai desculpar por nunca encontrar poemas que falem do pai )
[ Esta é uma das prendas que trago de Barcelona ] Parabéns a nós !!!
Intruções :
Clicar no play, apreciar a melodia até ao minuto 2:10, começar a ler o poema abaixo , com o diseur ...
Enjoy !
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Herberto Helder
21.7.10
A pedido de várias famílias ...
Especialmente a pedido da minha mãezinha que não conseguia ler [ nem de óculos ] : )
8.7.10
Olhaste para mim por uma brecha,
alvejaste-me de olhos esgazeados
enquanto sugavas o último gole de ar,
o teu último suspiro de Vida,
para dentro dos pulmões,
velhos e pútridos.
Foi a última vez que oxigenaste o teu cérebro
e eu vi-te
pela brecha da janela da carrinha amarela