Imagino o sabor a café, provavelmente amargo. Cheiro o tabaco que se queima na ponta dos dedos.
Vejo-o sentado, o pé direito sobre o joelho esquerdo. Sobre as pernas um caderno, na cabeça um chapéu.
Uma figura - nada mais do que uma presença ténue. Uma sombra esguia e escura que observa o rodopio do mundo, mergulhando, divagando dentro de si próprio.
Atribuo-lhe a infantilidade de uma criança presa no corpo, na vida de um adulto vulnerável à passagem dos dias. Na mesma alma vejo opostos - sentimentos que em nenhuma outra se cruzariam.
Sinto-lhe a paixão assombrada por um vazio. Sinto-lhe a alegria e, ao mesmo tempo, a decadência.
Sinto-lhe a ânsia de um geniozinho precoce.
Na mesma sombra vejo vultos, vultos de outras almas. É isto que despoleta toda a entropia do pensamento.
E sobreviver a isto só sendo poeta - só sendo capaz de gerar sanidade a partir da própria loucura.
23.9.10
18.9.10
Página 23 em La Central
Conquistou-me na página 23.
Foi assim que tudo começou. Foi por aí que comecei a lê-lo. E ainda dizem que no princípio era o Verbo - não. no princípio era o 23 , e esta minha manha obsessiva-compulsiva.
Foi por aí, numa qualquer livraria, numa qualquer rua de Barcelona, que mais uma vez te encontrei - acredites ou não - nas páginas de um livro.
Dizia assim Y tú, ¿de qué lado de mi cuerpo estabas, alma, que no me socorrías?
[ Foi aí mesmo, aos meus pés, que caiu uma gota de solução aquosa de cloreto de sódio - eras tu , nessa gota ]
Eras tu, na página 23.
E eu comprei No amanece el cantor de José Angel Valente.
Foi assim que tudo começou. Foi por aí que comecei a lê-lo. E ainda dizem que no princípio era o Verbo - não. no princípio era o 23 , e esta minha manha obsessiva-compulsiva.
Foi por aí, numa qualquer livraria, numa qualquer rua de Barcelona, que mais uma vez te encontrei - acredites ou não - nas páginas de um livro.
Dizia assim Y tú, ¿de qué lado de mi cuerpo estabas, alma, que no me socorrías?
[ Foi aí mesmo, aos meus pés, que caiu uma gota de solução aquosa de cloreto de sódio - eras tu , nessa gota ]
Eras tu, na página 23.
E eu comprei No amanece el cantor de José Angel Valente.
17.9.10
Back to the uptight room, to the uptight noise. Back to the uptight smiles, to the uptight clothes, to the uptight thoughts surrounding. Back to the uptight days, to the uptight books, to the uptight school, the uptight people.
Back to the uptight life, from which only the free black streets of this free black city can save me. They heal me a little in every stone, in every path .
Back to the uptight soul that i undress everytime the sun dies - Slowly.
Back to the uptight life, from which only the free black streets of this free black city can save me. They heal me a little in every stone, in every path .
Back to the uptight soul that i undress everytime the sun dies - Slowly.
13.8.10
Co-Oração
Vida , permite que me considere infinitamente pequeno.
Permite que construa a minha Casa permanentemente. Permite que nunca me esqueça que te pertenço, Vida.
Permite-me compreender que faço parte de algo maior. Vida, mostra-me os Teus Caminhos.
Ensina-me que a grande sabedoria recai sobra a capacidade de apreciar a rotina que me permites. Vida, ensina-me que não vivi todas as coisas. Vida, corrige-me quando achar que já tenho tudo. Mostra-me como é saber amar cada momento repetitivo e não apenas o longe e a miragem.
Vida, faz-me perceber que me devo amar a mim próprio para poder amar o próximo.
Protege-me da reflexão exagerada, destrutiva. Vida, proíbe que alguma vez tenha pena de mim próprio.
Permite que sinta frequentemente que a vontade de ficar ultrapassa a vontade de partir para regressar.
Vida, permite que me sinta astronomicamente grande. Permite, que me sinta parte da beleza da natureza em harmonia com o Universo.
Permite que construa a minha Casa permanentemente. Permite que nunca me esqueça que te pertenço, Vida.
Permite-me compreender que faço parte de algo maior. Vida, mostra-me os Teus Caminhos.
Ensina-me que a grande sabedoria recai sobra a capacidade de apreciar a rotina que me permites. Vida, ensina-me que não vivi todas as coisas. Vida, corrige-me quando achar que já tenho tudo. Mostra-me como é saber amar cada momento repetitivo e não apenas o longe e a miragem.
Vida, faz-me perceber que me devo amar a mim próprio para poder amar o próximo.
Protege-me da reflexão exagerada, destrutiva. Vida, proíbe que alguma vez tenha pena de mim próprio.
Permite que sinta frequentemente que a vontade de ficar ultrapassa a vontade de partir para regressar.
Vida, permite que me sinta astronomicamente grande. Permite, que me sinta parte da beleza da natureza em harmonia com o Universo.
22.7.10
No sorriso louco das Mães
No dia em que completo 17 penso que quem está de parabéns não sou ( só ) eu.
À minha mãe e ao meu pai ( que me vai desculpar por nunca encontrar poemas que falem do pai )
[ Esta é uma das prendas que trago de Barcelona ] Parabéns a nós !!!
Intruções :
Clicar no play, apreciar a melodia até ao minuto 2:10, começar a ler o poema abaixo , com o diseur ...
Enjoy !
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Herberto Helder
À minha mãe e ao meu pai ( que me vai desculpar por nunca encontrar poemas que falem do pai )
[ Esta é uma das prendas que trago de Barcelona ] Parabéns a nós !!!
Intruções :
Clicar no play, apreciar a melodia até ao minuto 2:10, começar a ler o poema abaixo , com o diseur ...
Enjoy !
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Herberto Helder
21.7.10
8.7.10
Olhaste para mim por uma brecha,
alvejaste-me de olhos esgazeados
enquanto sugavas o último gole de ar,
o teu último suspiro de Vida,
para dentro dos pulmões,
velhos e pútridos.
Foi a última vez que oxigenaste o teu cérebro
e eu vi-te
pela brecha da janela da carrinha amarela
As sirenes ressoam agora, ao longe.
alvejaste-me de olhos esgazeados
enquanto sugavas o último gole de ar,
o teu último suspiro de Vida,
para dentro dos pulmões,
velhos e pútridos.
Foi a última vez que oxigenaste o teu cérebro
e eu vi-te
pela brecha da janela da carrinha amarela
As sirenes ressoam agora, ao longe.
21.6.10
17.6.10
14.6.10
What goes around, comes around ...
Ao longo do tempo fui perdendo a ideia de que há pessoas boas e pessoas más. Há pessoas que realizam acções, pessoas que têm atitudes, que transportam auras, energias. Há pessoas, com diferentes valores - acho que o que verdadeiramente nos distingue é isto.
Há vezes em que acredito na ideia do Karma. Se pensarmos bem no assunto, não é assim tão místico, tão mágico, tão abstracto.
Acho que está, na verdade, impregnado de lógica e de probabilidades...
Só faz sentido que a aura positiva que cada um porta o atinja. Parece-me lógico que as pessoas que têm como sua missão inundar com amor e ser fonte de alegria acabem elas próprias por ser contaminadas com todo o amor e felicidade. Acredito que o mundo, a natureza, retribui os actos de boa vontade. E, como disse, não há nada de transcendente nisto - é pura lógica . É a mais científica das simbioses entre o espaço que é a Terra e o material que a ocupa que, em parte, é cada um de nós.
Por outro lado, é lógico que quem opta por valores negativos acabe afogado, sufocado pelos mesmos. É natural pensar que atitude negativa é pouco ou nada produtiva - de imediato ou em última análise. A recompensa acaba por nunca compensar. Nem que seja pelo poder auto-destrutivo de determinadas atitudes.
Isto parece demasiado ideal mas parece-me ser o que acontece na realidade, se formos capazes de observar atentamente e fazer generalizações.
É óbvio que há excepções. Haverá sempre gente boa a morrer cedo e gente má a sair recompensada - e podemos parar já aqui. Em primeiro lugar, muitas vezes, esta descrição de excepção é extremamente redutora e distorcida. Quantas vezes já pensei no quão injusto foi o meu avô morrer quando eu tinha apenas 6 anos. Quantas vezes penso que uma pessoa que ama tanto e é amada por tanta gente deveria ter direito a mais tempo de vida. Ainda hoje me sinto frustrada por tudo o que poderia ter aprendido com ele e não pude, por todas as vezes que lhe tento dar um beijo, dizer-lhe que o amo muito e é o melhor avô do mundo. Ainda hoje sinto que é injusto uma miúda como a minha prima não ter tido o privilégio de conhecer um Homem como o meu avô Renato.
Mas a verdade é que todo este raciocínio está profundamente embebido em emotividade e por isso é subjectivo e tendencioso. O que acontece é que as pessoas morrem [ Uau! ]... Isto pode é ter diferentes efeitos nos que ficam mediante o quanto esta pessoa amou e foi amada.
Por outro lado, para a situação da recompensa recebida por quem não merece, proponho uma visão mais ampla da coisa. A ideia é que, em última análise, a recompensa não é , de facto, uma recompensa ou simplesmente não pesa mais do que todo o peso que a aura negativa assenta na pessoa que o transporta.
Em segundo lugar, admitindo que há excepções - porque às vezes é difícil acreditar que não as haja - serão as excepções mais do que simples mutações? Mutações na realidade, falhas na concretização e aplicação da lógica. E pensemos nas mutações tal e qual como as estudamos : São estas mutações que conferem a variabilidade - e a variabilidade é essencial à evolução.
É este o equilíbrio que observamos na Natureza, no Universo. Não podia ser mais intuitivo, mais coerente com a realidade, mais lógico, mais objectivo, mais racional, mais científico...
A minha opção é uma atitude construtiva perante o desafio da rotina como dizem os MDG.
Não resisto a deixar aqui alguns Karma :
Há vezes em que acredito na ideia do Karma. Se pensarmos bem no assunto, não é assim tão místico, tão mágico, tão abstracto.
Acho que está, na verdade, impregnado de lógica e de probabilidades...
Só faz sentido que a aura positiva que cada um porta o atinja. Parece-me lógico que as pessoas que têm como sua missão inundar com amor e ser fonte de alegria acabem elas próprias por ser contaminadas com todo o amor e felicidade. Acredito que o mundo, a natureza, retribui os actos de boa vontade. E, como disse, não há nada de transcendente nisto - é pura lógica . É a mais científica das simbioses entre o espaço que é a Terra e o material que a ocupa que, em parte, é cada um de nós.
Por outro lado, é lógico que quem opta por valores negativos acabe afogado, sufocado pelos mesmos. É natural pensar que atitude negativa é pouco ou nada produtiva - de imediato ou em última análise. A recompensa acaba por nunca compensar. Nem que seja pelo poder auto-destrutivo de determinadas atitudes.
Isto parece demasiado ideal mas parece-me ser o que acontece na realidade, se formos capazes de observar atentamente e fazer generalizações.
É óbvio que há excepções. Haverá sempre gente boa a morrer cedo e gente má a sair recompensada - e podemos parar já aqui. Em primeiro lugar, muitas vezes, esta descrição de excepção é extremamente redutora e distorcida. Quantas vezes já pensei no quão injusto foi o meu avô morrer quando eu tinha apenas 6 anos. Quantas vezes penso que uma pessoa que ama tanto e é amada por tanta gente deveria ter direito a mais tempo de vida. Ainda hoje me sinto frustrada por tudo o que poderia ter aprendido com ele e não pude, por todas as vezes que lhe tento dar um beijo, dizer-lhe que o amo muito e é o melhor avô do mundo. Ainda hoje sinto que é injusto uma miúda como a minha prima não ter tido o privilégio de conhecer um Homem como o meu avô Renato.
Mas a verdade é que todo este raciocínio está profundamente embebido em emotividade e por isso é subjectivo e tendencioso. O que acontece é que as pessoas morrem [ Uau! ]... Isto pode é ter diferentes efeitos nos que ficam mediante o quanto esta pessoa amou e foi amada.
Por outro lado, para a situação da recompensa recebida por quem não merece, proponho uma visão mais ampla da coisa. A ideia é que, em última análise, a recompensa não é , de facto, uma recompensa ou simplesmente não pesa mais do que todo o peso que a aura negativa assenta na pessoa que o transporta.
Em segundo lugar, admitindo que há excepções - porque às vezes é difícil acreditar que não as haja - serão as excepções mais do que simples mutações? Mutações na realidade, falhas na concretização e aplicação da lógica. E pensemos nas mutações tal e qual como as estudamos : São estas mutações que conferem a variabilidade - e a variabilidade é essencial à evolução.
É este o equilíbrio que observamos na Natureza, no Universo. Não podia ser mais intuitivo, mais coerente com a realidade, mais lógico, mais objectivo, mais racional, mais científico...
A minha opção é uma atitude construtiva perante o desafio da rotina como dizem os MDG.
Não resisto a deixar aqui alguns Karma :
13.6.10
Aos desaparecidos :
Talvez faça sentido a distância com que te defendes. Talvez um dia eu aprenda a respeitá-la.
Talvez um dia molde a minha espera de modo a contentar-me com o facto de me dares uma importância de mais de dois milhões de metros.
Provavelmente serás uma pessoa bem pior do que aquilo que imagino. Provavelmente nunca serás feliz ou morrerás cedo, sem tentar.
Provavelmente és apenas um humano.
Idealizo dias simples porque penso sempre na insegurança que tens na complexidade. Confundes-me com promessas efémeras e eu espero sempre por mais - nunca me incomodaram, nunca incomodarão [ eu própria sou efémera de lucidez, de coerência. ]
Acabo por saber que escreveremos um livro, e acabo por perceber que me torno repetitiva ao dizer coisas que já sabes. A solução é não querer saber de nada...
Sempre que não quero saber é assim, e o destino faz-te bater à minha porta.
Talvez um dia molde a minha espera de modo a contentar-me com o facto de me dares uma importância de mais de dois milhões de metros.
Provavelmente serás uma pessoa bem pior do que aquilo que imagino. Provavelmente nunca serás feliz ou morrerás cedo, sem tentar.
Provavelmente és apenas um humano.
Idealizo dias simples porque penso sempre na insegurança que tens na complexidade. Confundes-me com promessas efémeras e eu espero sempre por mais - nunca me incomodaram, nunca incomodarão [ eu própria sou efémera de lucidez, de coerência. ]
Acabo por saber que escreveremos um livro, e acabo por perceber que me torno repetitiva ao dizer coisas que já sabes. A solução é não querer saber de nada...
Sempre que não quero saber é assim, e o destino faz-te bater à minha porta.
9.6.10
8.6.10
Escrevemos sempre melhor quando estamos magoados.
Não escrevemos melhor, escrevemos mais... escrevemos mais duro, mais invasivo, mais escarrado.
De certa forma, ainda bem que não tenho escrito ... Porque julgo que não devemos escrever nada quando não há nada para escrever.
Ultimamente não sinto, não há exaltação e por isso estou feliz .
Ocorre-me « Let's make love, and listen death from above » das CSS , que tanto ouvi no meu nono ano :
Não escrevemos melhor, escrevemos mais... escrevemos mais duro, mais invasivo, mais escarrado.
De certa forma, ainda bem que não tenho escrito ... Porque julgo que não devemos escrever nada quando não há nada para escrever.
Ultimamente não sinto, não há exaltação e por isso estou feliz .
Ocorre-me « Let's make love, and listen death from above » das CSS , que tanto ouvi no meu nono ano :
7.6.10
28.5.10
Deixa-me ouvir o que não ouço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...
Deixa-me ouvir... Não fales alto !
Um momento !... Depois o amor,
Se quiseres... Agora cala !
Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Que inquieta e embala...
O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... Só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois...
Sim, torna a mim, e a paisagem
E a verdadeira brisa, ruído...
Vejo-me, somos dois...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...
Deixa-me ouvir... Não fales alto !
Um momento !... Depois o amor,
Se quiseres... Agora cala !
Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Que inquieta e embala...
O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... Só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois...
Sim, torna a mim, e a paisagem
E a verdadeira brisa, ruído...
Vejo-me, somos dois...
Fernando Pessoa, Poesias Inéditas
21.5.10
A propósito da posta anterior e de um dos temas da Oração de Taizé de hoje [ / Lindíssima, diga-se ], relembrei este comentário que fiz na Chuva :
"Conforta-me a confiança que tenho de que o Homem vive para o Homem. Eu vivo para o homem, e tudo de humano e nojento que nisto se subentende. A efemeridade da minha pegada é, para mim, absolutamente negável quando penso num sorriso ou num olhar cúmplice , como os que se troca com um amigo, e tu és amigo - és meu amigo.
A pegada que te deixo é o que me resta e chega-me , assim como me sacia a pegada que me deixas ...
Vivamos com isto, com demora mas sem demoras . Que me dizes ?
Ps . Não posso deixar de apontar que esta música é uma obra-prima. I will lay me down , like a bridge over troubled water ... Entoemos ! : ) "
Hoje, só posso acrescentar a cada um de vocês : Atreve-te a Viver por Amor !
"Conforta-me a confiança que tenho de que o Homem vive para o Homem. Eu vivo para o homem, e tudo de humano e nojento que nisto se subentende. A efemeridade da minha pegada é, para mim, absolutamente negável quando penso num sorriso ou num olhar cúmplice , como os que se troca com um amigo, e tu és amigo - és meu amigo.
A pegada que te deixo é o que me resta e chega-me , assim como me sacia a pegada que me deixas ...
Vivamos com isto, com demora mas sem demoras . Que me dizes ?
Ps . Não posso deixar de apontar que esta música é uma obra-prima. I will lay me down , like a bridge over troubled water ... Entoemos ! : ) "
Hoje, só posso acrescentar a cada um de vocês : Atreve-te a Viver por Amor !
18.5.10
Tive de passar isto a computador , tendo em conta que só tenho em papel - um teste de Filosofia que recebi hoje, com um sorriso que umas décimas me permitiram por cumprir a promessa do mais de dezoito no último teste de Filosofia - Mais tarde soube que não seria o último :| Se calhar é nabice não me dar ao trabalho de procurar isto na net, mas aqui fica à unhinha.
De qualquer forma, não é à toa que me dou a este trabalho. é um texto que resume muito bem aquilo que defino como coragem de ser humano. Chamo-lhe coragem porque fui conhecendo, com o tempo, pessoas que se sentem incomodadas ou que se recusam completamente a aceitar que somos sociais. Que vivemos com os outros e para os outros. Que a vida perde o sentido quando se vive permanentemente numa condição de eremita. Que vivemos com amor e por paixão. Também não é à toa que o meu filme favorito é o Into the Wild - é que depois de toda a rebelia, depois de toda a independência, depois da adolescência, depois de toda a negação da condição social, chega-se à conclusão Hapiness only real when shared . Foi exactamente isto que tentei explicar[-te] ontem e que continuo a defender com unhas e dentes :
" A pessoa surge-nos como uma presença voltada para o mundo e para as outras pessoas, sem limites, misturada com elas numa perspectiva de universalidade. As outras pessoas não a limitam, fazem-na ser e crescer. Não existe senão para os outros, não conhece senão pelos outros, não se encontra senão nos outros. A experiência primitiva da pessoa é a experiência da segunda pessoa. O tu e, adentro dele, o nós, precede o eu, ou pelo menos acompanha-o. É na natureza material (e a ela estamos parcialmente submetidos) que a exclusão reina, porque um espaço não pode ser ocupado duas vezes ao mesmo tempo. Mas a pessoa, no mesmo movimento que a faz ser, ex-põe-se. Por isso, é por natureza comunicável e até mesmo só ela o é. É preciso partir deste facto primitivo. Do mesmo modo que o filósofo que começa por se encerrar no pensamento nunca encontrará uma saída para o seu ser, assim aquele que começa por se encerrar no eu nunca encontrará o caminho para os outros. Quando a comunicação se enfraquece ou se corrompe perco-me profundamente de mim próprio: todas as loucuras são uma falhas relações com os outros - o alter torna-se alienus, torno-me também estranho a mim próprio, alienado. Quase se poderia dizer que só existo na medida em que existo para os outros, ou numa frase-limite: ser é amar."
De qualquer forma, não é à toa que me dou a este trabalho. é um texto que resume muito bem aquilo que defino como coragem de ser humano. Chamo-lhe coragem porque fui conhecendo, com o tempo, pessoas que se sentem incomodadas ou que se recusam completamente a aceitar que somos sociais. Que vivemos com os outros e para os outros. Que a vida perde o sentido quando se vive permanentemente numa condição de eremita. Que vivemos com amor e por paixão. Também não é à toa que o meu filme favorito é o Into the Wild - é que depois de toda a rebelia, depois de toda a independência, depois da adolescência, depois de toda a negação da condição social, chega-se à conclusão Hapiness only real when shared . Foi exactamente isto que tentei explicar[-te] ontem e que continuo a defender com unhas e dentes :
" A pessoa surge-nos como uma presença voltada para o mundo e para as outras pessoas, sem limites, misturada com elas numa perspectiva de universalidade. As outras pessoas não a limitam, fazem-na ser e crescer. Não existe senão para os outros, não conhece senão pelos outros, não se encontra senão nos outros. A experiência primitiva da pessoa é a experiência da segunda pessoa. O tu e, adentro dele, o nós, precede o eu, ou pelo menos acompanha-o. É na natureza material (e a ela estamos parcialmente submetidos) que a exclusão reina, porque um espaço não pode ser ocupado duas vezes ao mesmo tempo. Mas a pessoa, no mesmo movimento que a faz ser, ex-põe-se. Por isso, é por natureza comunicável e até mesmo só ela o é. É preciso partir deste facto primitivo. Do mesmo modo que o filósofo que começa por se encerrar no pensamento nunca encontrará uma saída para o seu ser, assim aquele que começa por se encerrar no eu nunca encontrará o caminho para os outros. Quando a comunicação se enfraquece ou se corrompe perco-me profundamente de mim próprio: todas as loucuras são uma falhas relações com os outros - o alter torna-se alienus, torno-me também estranho a mim próprio, alienado. Quase se poderia dizer que só existo na medida em que existo para os outros, ou numa frase-limite: ser é amar."
E. Mounier, Le personalisme
15.5.10
Tenho-me perguntado : Porque é que sou mais criativa no Inverno ?
O calor do sol seca-me as palavras. Sinto a pele a abrir, como terra seca. E o papel vai ganhando pó, abandonado.
Pergunto-me se parte de mim terá hibernado. Não fara mais sentido a dormência no Inverno ?
Que criatura estranha, estranha forma de vida.
O calor do sol seca-me as palavras. Sinto a pele a abrir, como terra seca. E o papel vai ganhando pó, abandonado.
Pergunto-me se parte de mim terá hibernado. Não fara mais sentido a dormência no Inverno ?
Que criatura estranha, estranha forma de vida.
12.5.10
Estou de volta ! Exausta - que quatro dias intensos !
Quatro dias a acartar 30 e tal quilos às costas , a sentir a pele corroida pelo salitre e pelo frio. Valeu a pena!
O Fundamentals superou todas as minhas expectativas. é a incrível margem de progressão mesmo em apenas quatro dias. é também engraçado sabermos que estamos a ser avaliados ao mesmo tempo que os nossos pais - embora eu enquanto aluna e eles enquanto intructores.
Tive a honra de conhecer, aprender e mergulhar com o Daniel Riordan - Um dos melhores mergulhadores de Cave no mundo, uma das pessoas que mais trouxe para a comunidade de mergulho e para a GUE - Tanto com equipamento como com instrucção e projectos de exploração !
Aprendi imensos skills, pormenores importantes, o trabalho em equipa...
A verdade é que para além de tudo isto , alcancei o meu objectivo, sendo neste momento , tanto quanto sei, a mais nova da Península Ibérica - Consegui o Technical Pass!
Agora é necessário continuar a mergulhar, a praticar, a esmerar ainda mais aquilo que atingi.
Estou feliz, mas perciso de recarregar baterias.
Senti falta da minha cama.
Quatro dias a acartar 30 e tal quilos às costas , a sentir a pele corroida pelo salitre e pelo frio. Valeu a pena!
O Fundamentals superou todas as minhas expectativas. é a incrível margem de progressão mesmo em apenas quatro dias. é também engraçado sabermos que estamos a ser avaliados ao mesmo tempo que os nossos pais - embora eu enquanto aluna e eles enquanto intructores.
Tive a honra de conhecer, aprender e mergulhar com o Daniel Riordan - Um dos melhores mergulhadores de Cave no mundo, uma das pessoas que mais trouxe para a comunidade de mergulho e para a GUE - Tanto com equipamento como com instrucção e projectos de exploração !
Aprendi imensos skills, pormenores importantes, o trabalho em equipa...
A verdade é que para além de tudo isto , alcancei o meu objectivo, sendo neste momento , tanto quanto sei, a mais nova da Península Ibérica - Consegui o Technical Pass!
Agora é necessário continuar a mergulhar, a praticar, a esmerar ainda mais aquilo que atingi.
Estou feliz, mas perciso de recarregar baterias.
Senti falta da minha cama.
7.5.10
GUE Fundamentals
Parto hoje para Peniche.
Até hoje, não tinha tido tempo para nervosismo. Agora já sinto borboletas no estômago.
Conheci o instructor, Danny. Gostei muito - So far , so good !
Era preciso boa sorte, bom tempo e mar chão !
O segredo é paz e sossego ...
Até hoje, não tinha tido tempo para nervosismo. Agora já sinto borboletas no estômago.
Conheci o instructor, Danny. Gostei muito - So far , so good !
Era preciso boa sorte, bom tempo e mar chão !
O segredo é paz e sossego ...
30.4.10
27.4.10
os macacos
Chateia-me que a reacção dos chimpamzés à morte de um elemento do clã ainda seja tratada como notícia, em Jornais da Noite, como o da Sic.
Pensei que depois de todos os estudos de Etologia, depois de livros como Porque é que os elefantes choram? factos como este já tinham deixado de ser novidade.
Tenho perfeita consciência de que apesar de estarmos biologicamente a um passo de sermos The Fift Ape, estamos infinitamente distantes de qualquer outro animal em termos éticos e morais. [ Pelo menos gosto de acreditar que a condição humana, continua a ser unicamente humana. ]
No entanto, seria simplesmente estúpido negar reações como a de este vídeo. Mas qual é o mal de estudar estes comportamentos, analisá-los, tentar compreendê-los e até admirá-los ?! Eu acho isto fascinante !
Pensei que depois de todos os estudos de Etologia, depois de livros como Porque é que os elefantes choram? factos como este já tinham deixado de ser novidade.
Tenho perfeita consciência de que apesar de estarmos biologicamente a um passo de sermos The Fift Ape, estamos infinitamente distantes de qualquer outro animal em termos éticos e morais. [ Pelo menos gosto de acreditar que a condição humana, continua a ser unicamente humana. ]
No entanto, seria simplesmente estúpido negar reações como a de este vídeo. Mas qual é o mal de estudar estes comportamentos, analisá-los, tentar compreendê-los e até admirá-los ?! Eu acho isto fascinante !
25.4.10
Procuro sanidade nas folhas de chá branco e pétalas de rosa
Um fim de semana de seca. Na tentativa de estudar - cada vez mais me apercebo que não sei estudar e que a minha capacidade de concentração é uma bosta .
Em contrapartida : muita música e muito chá . Ouvi Lila Downs, MDG, e Eva Cassidy - repetidamente.
E por falar em Lila Downs - meu deus como ela é grandiosa - deixo aqui uma música lindíssima que dedico ao meu [ falecido ] bô Renato : )
No me llores, no, no me llores no
porque si lloras yo peno,
en cambio si tú me cantas, mi vida,
yo siempre vivo, yo nunca muero.
23.4.10
Ontem à tarde, relembrei o hip hop português que tanto costumava ouvir.
Ontem à tarde soube-me a Vida. É engraçado como há pessoas na nossa vida que nos taggam em tanta coisa diferente.
Cheira-me que este fim-de-semana o meu quarto vai ressoar a Hip hop e Reggae .
Aqui fica a música mais espectacular dos Dealema :
Ontem à tarde soube-me a Vida. É engraçado como há pessoas na nossa vida que nos taggam em tanta coisa diferente.
Cheira-me que este fim-de-semana o meu quarto vai ressoar a Hip hop e Reggae .
Aqui fica a música mais espectacular dos Dealema :
20.4.10
Há alturas em que vos espanta a espontaneidade.
Por onde andam os sulcos da tua face, que lhes fizeste ?
Onde é que escondeste a tua utopia ? Na falta de coragem ?
Como te atreves ? é que tu não te atreves... nao é ?
Tu não cantas , mesmo quando estás sozinho.
Sentes vergonha das tuas mão sujas, mas pouco calejadas.
O meu avô exibia os calos como medalhas.
Qual é a tua medalha ? a tua estátua ?
Tu não gostas , não é ? é assim que te desculpas ?
Tu não sentes interesse, no fundo és desinteressado , desinteressante.
[/ Antecedente Consequente , Certo ?]
Mas tu não antecedes, para não
concretizar .
Por onde andam os sulcos da tua face, que lhes fizeste ?
Onde é que escondeste a tua utopia ? Na falta de coragem ?
Como te atreves ? é que tu não te atreves... nao é ?
Tu não cantas , mesmo quando estás sozinho.
Sentes vergonha das tuas mão sujas, mas pouco calejadas.
O meu avô exibia os calos como medalhas.
Qual é a tua medalha ? a tua estátua ?
Tu não gostas , não é ? é assim que te desculpas ?
Tu não sentes interesse, no fundo és desinteressado , desinteressante.
[/ Antecedente Consequente , Certo ?]
Mas tu não antecedes, para não
concretizar .
16.4.10
Frustação é : [ / E a vida é isto ! ]
frustração é :
... o esquecimento que nos faz comer uma chiclete a seguir ao café e não nos deixa tempo para saborear .
... os comentários feitos em anónimo
... as calças que fazem barulhos que parecem peidos . [ e a incapacidade de negar os mesmos ]
E a vida é isto !
... o esquecimento que nos faz comer uma chiclete a seguir ao café e não nos deixa tempo para saborear .
... os comentários feitos em anónimo
... as calças que fazem barulhos que parecem peidos . [ e a incapacidade de negar os mesmos ]
E a vida é isto !
13.4.10
Fosses tu uma mão e eu lia-te, com arte cigana.
Não to faço porque não te vigarizo, não te trafulho.
é trafulhice, é engano pensar que algum dia vamos perceber alguma coisa, quanto mais adquirir sabedoria de rugas pré-desenhas , pré-delineadas.
Só aprendes o que não entendes, o que é estranho e bonito. é natural , mas não é um facto, de facto. é quando muito um ArteFacto. É uma invenção tua com artimanha, o conhecimento. É uma metáfora, uma alegoria, uma hipérbole. Ou será um eufemismo para os momentos em que acreditas piamente que és Deus ?
é simplesmente estúpido acreditares piamente em alguma coisa. Na verdade, somos extraordinariamente estupidos, e isto sei - como quem acredita piamente . é por isso que te amo.
Não to faço porque não te vigarizo, não te trafulho.
é trafulhice, é engano pensar que algum dia vamos perceber alguma coisa, quanto mais adquirir sabedoria de rugas pré-desenhas , pré-delineadas.
Só aprendes o que não entendes, o que é estranho e bonito. é natural , mas não é um facto, de facto. é quando muito um ArteFacto. É uma invenção tua com artimanha, o conhecimento. É uma metáfora, uma alegoria, uma hipérbole. Ou será um eufemismo para os momentos em que acreditas piamente que és Deus ?
é simplesmente estúpido acreditares piamente em alguma coisa. Na verdade, somos extraordinariamente estupidos, e isto sei - como quem acredita piamente . é por isso que te amo.
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