31.12.09

Despenteada Mental - I'm turning Japanese

Hoje acordo com o cansaço de dormir. Cansei de dormir - Finalmente!
Acordo e ligo a música rapidamente - apetece-me protagonizar uma daquelas cenas de filme americano em que a pessoa dança de pijama, "despenteada mental" pelo quarto todo enquanto faz da escova dos dentes um microfone. Correu bem!
Ai que Teen !

Refaço - a pequena trança atrás da orelha direita, que começa a simbolizar a tentativa de início de uma nova fase - Uma New Year's Resolution!
Desfaço - qualquer tentativa da minha mãe de manter a surpresa de que hoje o almoço era Japanese.
Vamos ao Gokobe ! Oh yeah !
Para quem não sabe, ADORO, devoro, comida Japonesa e o Gokobe é perfeito porque alia a qualidade do sushi a um buffet de 10 euros - Coma o que quiser (e nós comemos!).
Apesar de não ser o meu restaurante de Sushi preferido, é o que me consola mais com a quantidade!

I'm turning Japanese,
I think I'm turning Japanese,
I really think so !
(Lembra-me o meu pai a canção dos The Vapors!)
Foi um óptimo almoço de fim de década!






Começo a pensar em New Year's Resolutions:

Mais chill out/Trabalhar mais ; Esforçar mais/Dar menos importância ; Aumentar auto-confiança/Podar o ego ; Dormir mais/Dormir menos ; Levar as coisas ainda mais a sério/Levar as coisas ainda mais na desportiva; Focar/Dispersar ; Traçar o rumo/Deambular ; Dar mais importância à imagem/ Desleixar um bocadinho ; Arriscar/Proteger ; Enterrar/Desenterrar ... E mais qualquer coisinha.

Com antagonismos destes é complicado : )

Foi uma década linda, a década do início da metamorfose.
Entrei em 2000 com 6 anos e imaginação de sobra para desenhar um mundo novo.
Entro agora em 2010, a metamorfose continua, e a imaginação aumenta, cultivada pelas boas vivências, pelo balanço fabuloso de uma década de vida.
Aprendi tanto, cresci tanto.
E há ainda tanto para crescer, tenho tanto para conhecer, para aprender.
Foi uma década em que me descobri, descobri os meus sabores, as minhas cores, os meus sons...
[ / Correcção - Comecei a descobrir-me ! ]

Descobri que sou do Caminho, e que almejo caminhar.

Descobri que meditar é a minha aspirina, a minha mentalfetamina.
Preciso do Caminho para perceber porque é que caminho, porque é que continuo a caminhar... Todos os dias...
Acredito piamente que o Caminho que faço - Primeiro comigo e depois connosco - é a minha luz porque o Caminho, para mim, é um estado que procuro.

Preciso do Caminho para me amar e assim amar os outros.

Preciso do Caminho porque para mim é sinuoso - Faz-me sair dele para querer voltar e faz-me voltar para querer sair.



Preciso do Caminho para me desinstalar, para me distanciar no sentido de voltar a aproximar - Preciso do Caminho para me lembrar o que é querer regressar... a Casa.

Uma década absolutamente vivida, sugada, absorvida pelo meu tegumento de uma forma quase perfeita.
Pensar nisto é lindo, e agora exalo José Régio (e só posso agradecer com carinho à minha mãe o facto de me ter atribuído este poema ):


(...)Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada. (...)


Cântico Negro , José Régio .



30.12.09

TSO






Hoje deambulei, sozinha, pela minha cidade.
Como ela é linda e me faz bem!


Passei o dia praticamente ao som de Trans-Siberian Orchestra, especificamente o último álbum Night Castle(Out 2009).
 Deixo-vos algumas das minhas preferidas:
Toccata-Carpimus Noctem
CarminaBurana                                                              


28.12.09

Que Mulherões!

Quanto a música, caros, não faço um best of 2009...
Decidi antes fazer esta selecção : difícil - praticamente impossível - de fazer numa "posta" curta que, portanto, fica assim singela (não pelas artistas que dela fazem parte, mas pelas artistas que nela faltam!)

Como eu adoro estes mulherões !
As de outros tempos:
Ella Fitzgerald . Julie London . Sarah Vaughan . Nina Simone . Billie Holiday . Édith Piaf


E as destes tempos:
Norah Jones . Lou Rhodes . Björk . Manuela Azevedo . Gal Costa . Mariza


Magníficas!

27.12.09

As feridas

Ontem compôs-se isto na minha cabeça, já estava eu deitada de luzes apagadas.
Com medo de o perder nas viagens da Noite, escrevi-o no telemóvel - é estranho isto !

Saboreio o teu sangue
na ponta da língua,
enquanto te lambo as feridas,
desprovidas ainda de crostas
e do esquecimento.

Incomoda-me reparar em como mastigas, ruminante, os restos das tuas lutas de galos.
Mesmo assim, eu lambo-te as feridas.

Hoje, quando o re-li, lembrei-me do primeiro poema que li do Melopeia.
Foi engraçado - Abri o livro ao acaso, e fui ter à página 23 (o 23 parece bruxedo no meu quotidiano) e li isto:
Lambe-me as feridas na lenta
passagem das horas, porque a elegia
é apenas uma percepção esquiva
do tempo e nós nómadas sulcando
vagamente os equinócios, como êmbolos
crescendo, esparsos em superfícies
excessivamente mensuradas
em atlas anatómicos. Lambe-me
as feridas que eu sou como um choupo
reclinado sobre a remissão da tua saliva
e o devir é um espasmo onde sofro
a espera da cura, a travessia incomensurável
da distância. Lambe-me as feridas porque
sinto a fluidez de raízes nas plantas dos pés
e substâncias voláteis nas extremidades
das mãos. Mastigo a esperança
nos dias do exílio, porque só a tua presença
é um lugar à medida da tua solidão.

José Rui Teixeira

Contador de visitas

No dia 26 aderi ao sitemeter.
No dia seguinte, percebi que apesar de porreiro para as contagens de visitas, se mostrava desorganizado, confuso e pouco fiável, no que toca à sistematização de outros tipos de dados.
Aderi ontem ao Google Analytics, este muito mais limpo e eficaz nos relatórios que elabora, mas com o defeito de não o poder tornar público para os visitantes do Mentalfetaminas.
Entretanto, experimentei colocar um contador HTML banal, mas acontece que ele conta até as minhas próprias visualizações de página, qualquer refresh - Era enganador!

Resolvi o seguinte: Manterei ambos. O sitemeter para vossa consulta, para que possam visualizar o número de visitas, e o Google Analytics para consulta pessoal.

25.12.09

Retratos - Cheiro a Farrapo-Velho

Há dias em que me sento em frente a uma cómoda.
Nas gavetas há baralhos de fotografias velhas - baralhados, baralhadas. Com os dedos percorro décadas documentadas em pedaços de papel impressos, de má qualidade e azeda-me o paladar quando percebo que são apenas retratos. São figurinos, modelos e composições estáticas. Fôlegos apanhados num tempo e perdidos no tempo. Não são sequer momentos, nem fragmentos, nem nada... - são retratos.
E a culpa não é dos retratos, nem de quem retrata - é, quase certamente, dos retratados.
Resta-me apenas tentar imaginar que talvez para os figurinos tenham sido histórias, estórias. Resta-me crer que tenham vivido em cores condensadas e vivas. Cores de movimento.

Levanto-me da poltrona e vou para a cozinha, ouvir a minha mãe ironizando - divertida - sobre o enorme esforço que demonstro em receber o testemunho sobre o qual escrevi há dias.
Fingo não dar muito interesse, teimosa. Por dentro, sorrio de concórdia - ela tinha razão! 

A verdade é que não estava a pensar nisso, pensava apenas no esforço que farei para não cair nas poses dos retratos que lhe mostrei - nem a minha avó lhes conhecia as faces.
Decido viver as minhas poses com movimento. Ou os movimentos sem a pose.
Decido que não gosto de retratos sem estórias - apenas porque as estórias são o que prova que já estivemos vivos.
As estórias, o sangue quente e o cheiro a farrapo-velho - que não se imprimem nos retratos.

Decido tudo isto enquanto o Diabo esfrega um olho.

23.12.09

Aliens

  Hoje os aliens fartaram-se de tirar fotografias...














   Foto: reddhedds - DeviantArt

21.12.09

Prenda de Natal

A partir de Janeiro - Guitarra na Escola de Jazz do Porto.
Não consigo manifestar o entusiasmo... - Agora é que vai ser !

O testemunho

Ontem jantei com os meus, que já não eram meus há muito tempo - Tempo de mais!
A Sofia fez anos, e senti o consolo, o conforto do regresso.
É bom relembrarmos, de vez em quando, de onde vimos e a quem pertencemos.
Soube-me a velhos tempos, e cheirou-me a Caminho.

É nestas alturas que se impõe o cliché que me irrita - Aquele que diz que só valorizamos o que temos quando já não o temos, na verdade.


Continuo com o EP March of the Zapotec/Holland, dos Beirut.
Põem-se as últimas bolas, as últimas luzes.
O bacalhau continua de molho.
O bolo-rei e os cacetes das rabanadas já foram encomendados.
O anho já espera, ansiosamente, pelo almoço de 25.
Para mim, é mais uma grande oportunidade de aprender com as melhores a arte da culinária.


Em alturas como estas, comove-me a passagem do testemunho.
A tradição - uma relíquia .

19.12.09

XpertDiver - Isto é que é!

Muitas vezes me dizem os meus pais que eu devo achar que quando eles não estão comigo, estão guardados num armário qualquer, em modo stand-by, à espera do momento seguinte do dia em que eu esteja à beira deles.

Desvendei o mistério!

Isto é o que os meus pais fazem quando não estou à beira deles:
[ Última viajem que fizeram ao Mar Vermelho! ]



Ligações:
A escola - Submersus
A loja - Xpertdiver
O canal no Youtube - Xpertdiver
Os meus pais - Gandas malucos aqui!


Tu : Descobre o que andam a fazer os teus!

18.12.09

Promessas da Noite .

Gosto das promessas que a Noite me traz.

Traz-me lugares recônditos no próprio abismo, confortáveis de recônditos , de felizes na mansidão dos sons, das formas, das palavras...

Gosto das sombras, que já nada têm de assustador - apenas a excitação da incerteza do que nelas nos seduz.
O que nos seduz é a própria incerteza.
O que nos seduz é beleza que se mostra no escuro.
O que nos seduz é, naquela noite, sermos nós os seduzidos.

Seduz-nos a vontade que aprendemos a trazer de volta, mesmo quando nos apercebemos que a Lua hoje não apareceu e estamos sozinhos com o nosso esquecimento.

'Cause we are all just girls lost in the woods
Morphine


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Aproveito para mencionar que este post do Mentalfetaminas fez parte da lista de "Boas Leituras" de Fernando Moreira de Sá, no Aventar.
Cuscar aqui !

16.12.09

Doce Húngaro , Doce Alto

Hoje andei entre crise de fígado e relatórios de Biologia. 
É engraçado, mas nem quando estou assim me falta o apetite.

O doce húngaro da Doce Alto é tão bom!

15.12.09

Era uma vez três...

Ontem lembrei-me de uma história que o meu avô Renato contava e que me fascinava.
É engraçado como a ouvia todas as vezes de boca aberta, e a terminava com uma gargalhada :

Era uma vez três: dois austríacos e um francês.
O francês rapa da espada e...
Zás ! Trás ! Pás !
Mas não matou...
Queres que te conte o que se passou ?

Era uma vez três...


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Hoje fascinou-me o ar fresco.

O que o ar fresco tem de bom é que é frio.
Mas não é só frio(se fosse só frio chamava-lhe ar frio!) - É ar que pega no frio e torna-o para além de frio, um frio fresco.
É para este ar fresco que sinto em dias como o de hoje, que se respira.
É ar fresco, que rebola como o vento e leva as folhas caídas no chão de Outono, as crostas, as cascas, as escamas velhas da minha terra - deitadas por terra.
E agradeço ao vento o ar fresco que me deu.

10.12.09

Desgarradas

Aconselho que visitem este vídeo e que fiquem a conhecer The XX. Da melhor alternativa recente que tenho ouvido! (Mais uma indicação do tio Nando)
Por falar em tio Nando, ouvi falar que teria um programa de rádio na Lidador, mas ainda não sei detalhes. Mal souber mais info. divulgo!

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O veludo vermelho percorre ansiosamente o caminho, diante da tela que as pérolas atentas compõem.
Corre decididamente de encontro à outra ponta.
Eu caio de joelhos, mesmo sabendo que as palmas e os ecos alimentam a minha melomania.
Caio de joelhos porque não suporto que se contentem com estes dizeres decorados, processados, com os dizeres melancólicos da prudência e da razão.

Caio de joelhos porque anseio que devorem as desgarradas, desamarrados.

9.12.09

Diarreia Mental

Nestes dias, já não nos é permitido um luto.
Já não nos toca o direito a uma lágrima, o direito a uma ausência, a um retiro, muito menos o direito a um impulso violento.
Uma resposta bruta passou a ser capricho, quando devia ser vista como algo que temos de aceitar - vindo de alguém que precisa de a dar e, sobretudo, de alguém de quem se gosta.
Há dias de respostas duras, que não têm o papel de ser duras para quem as recebe - Têm o papel reconfortante da exalação para quem as expele.

Construimos puzzles nas máscaras, que vestimos com as coquilhas justas, apertadas, excruciantes.

A nossa criatividade é esterilizada, como (o) aparelho reprodutor.
E os estafetas das limpezas limpam, discreta mas eficazmente qualquer diarreia mental (seja ela boa ou má - rapidamente interrompida, à força, por um imodium rapid) com toneladas de papel higiénico, eliminando pela raiz qualquer fonte de mau cheiro com detergentes a cheirar as rosas.

2.12.09

Coragem vs. Inconsciência




Para muitos, a fronteira entre a coragem e inconsciência é ainda uma linha muito ténue.

1.12.09

Five O'clock Coffee

Café das cinco marca a pausa na Física.
[ Esqueçamos a Lei de Gravitação Universal, as análises de movimentos rectilíneos uniformemente variados, os projécteis, a resistência do ar, o movimento dos satélites geoestacionários, as Leis de Newton... Elas actuam mesmo quando não estamos a pensar nelas. Desde sempre. ]

São estas pausas que valorizam o esforço.
Porque : São estas pausas que me levam a pensar que eu sou muito mais que isto.
(Lamento Sir Newton!)
Nesta em particular, lembrei-me do filme mais inspirador e marcante que vi até hoje. Até ao momento, é o meu filme.
Lembrei-me que nunca tinha falado dele no Mentalfetaminas.
(Isto leva-me de "o que poderia ser uma mera pausa" a "baldar-me quase uma horita" - é para estas baldas que eu estudo de vez em quando!)

O filme é o Into the Wild de Sean Penn.
Baseado na história verídica de Christopher McCandless, um jovem atleta e estudante americano que acaba de se formar na Universidade de Emory e decide procurar a liberdade - No significado mais genuíno intrínseco à palavra.
Na realidade, esta procura leva-o a conclusões muito para além da importância da liberdade. No final, leva-o a definir o seu próprio sentido para a vida.

O filme ilustra as melhores paisagens que o continente Norte-Americano tem para oferecer e desenrola-se ao som de uma banda sonora perfeita, totalmente produzida por Eddie Vedder.

Um filme que muitas vezes me faz falta, até como instrumento que fomenta introspecção.
Talvez por isso já o tenha visto tantas vezes!

Aqui fica o trailer na esperança de motivar-vos a vê-lo.


By the way, se realmente virem este filme, que não seja mais uma sessão de cinema de Domingo com pipocas e a mastigar de boca aberta - Não adormeçam a meio.
Se vão ver o filme, puxem pela cabecinha que ela não serve só para penteados bonitinhos e gorros com pompons no inverno!
Façam-se perguntas e procurem-se respostas.
E quando responderem às perguntas com a vossas respostas, façam perguntas à respostas... Falava eu no outro dia com alguém que : A verdade não está toda no mesmo sítio.

Remember:

30.11.09

Quebra Gelo.

Uso muito a música como quebra gelo.
É sempre a primeira coisa que me sinto confortável para partilhar. Sempre com cautela, que há música que é só nossa e que não queremos que ninguém conheça.
Comecei a minha viajem quando no meu 6º ano ouvimos na aula de inglês a Bohemian Rapsody. Eu não conhecia, nunca tal tinha ouvido - Queen? Sim... Não me é estranho... e ficamos por aí. Acontece que nessa mesma aula me apaixonei... E esta sim, é uma relação que se mantém sólida e evolui com os anos.
Com 12 anos acordo para o Grunge, e aí... Aí nunca mais consegui largar, é um vício que não estou disposta a perder.
Para mim o Grunge começa com Where did you sleep last night? de um grupo chamado Nirvana do qual nunca tinha ouvido falar... é estranho pensar na altura em que não conhecíamos Nirvana, não é?
Aliando isto ao facto de já ter capacidade de fazer downloads ilegais, imaginem O "Baby boom". Conhecia tudo e mais alguma coisa, foi o Rock n' Roll,o Hard, o Indie, o Alternativo, o Punk... Tudo.
Passei à música portuguesa, e percebi que o que se fazia era muito bom. Talvez tenha começado com Mesa... E a partir daí foi até Linda Martini. Vagueei no rap português, pelo qual ainda tenho carinho (MDG, Dealema e STK) e foi engraçado perceber depois, que deixei de ouvir quando passou a dar na televisão.
Entra o fado, com a Lágrima de Amália Rodrigues.
Algures no tempo, passo pelo House e pelo Tecnho.
Os meus 13 anos são decisivos tendo em conta que comecei a perceber que o meu tio tinha um gosto musical apurado, que me interessava. Deu-me muito. Deu-me os clássicos, deu-me a música irlandesa e islandesa, deu-me um pouco de Folk, deu-me o pouco Pop que posso considerar bom, entre outros. Deu-me as sementes.
Com estas sementes cultivei, mais e melhor.
Num verão em família, cultiva-se o Reggae - E o Bob instala-se.
Acordei para os Blues e para o Jazz by myself. Ouvi, ouvi, ouvi, horas a fio, noites a fio.
A clássica entra, também, ainda com uma pegada muito ténue, mas propícia a desenvolvimento.
Recentemente, entra aquilo que jurei nunca ouvir. Entra o Metal por influência do João e descobri que há muito Metal muito diferente, e há muita coisa muito boa.
No entanto, duvido que agora continue sozinha.

A música sempre foi paixão e sempre foi sonho. Será sempre.
A música rotula a minha vida, organiza-a, divide-a em categorias, acontecimentos, fases.
É o que me acalma e me reconforta. É loucura quando preciso de loucura, e paz quando preciso de paz. Julgo já ser quase fundamental para a minha sanidade mental. E isto não é exagero. É a música que ajuda a enterrar quaisquer tendências maníaco depressivas que possam tentar manifestar-se, quaisquer tendências sociopatas que possam ser herdadas nos confins da genética.
É remédio, é meditação.

28.11.09

Espero pela decomposição

Lamento se tenho estado ausente.
Na verdade, ando ausente de tudo. Na verdade sinto-me ausente.

Eu não ando em casa, não estou no meu quarto, eu não ando em mim.
Estou muito longe. Estou no quarto cheio de vida, agora vazio. O quarto cujas paredes colapsaram. Onde foi dito que já não valia a pena, já não havia remédio, já não havia esperança.
É estranho, mas acredito nisto como o Pessoa: Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Eu aguardo, desesperadamente, pela parte em que se entranha, querendo acreditar que quando se entranha se compreende e se fica em paz. Porque esta parte, a parte em que se estranha, é a descrença neste fim. É guardar esperança na esperança de que haja esperança, realmente. E isto pode ser destrutivo.
Eu espero pela passagem deste tempo, como se esperasse pelos tecidos necrosos e pútridos num cadáver para acreditar na sua morte.
Dou por mim neste quarto, ao teu lado como sempre, mas desta vez espero pela decomposição.
Isto tudo de rompante, de surpresa, tudo rasgando a ilusão a que me tinha agarrado, numa inconsciência consciente de que era uma bomba relógio e de que era uma questão de tempo até que explodisse.
Agora que explodiu, mais uma vez é uma questão de tempo - é sempre uma questão de tempo - é uma questão de dar tempo ao tempo.



E no fim, a espera do tempo obriga-me a pensar que como escreveu Carlos Tê e interpretaram os Clã:
O meu lado esquerdo é mais forte do que o outro.


Não consigo deixar de pensar... Que vida tão estranha - como Rodrigo Leão.

22.11.09

Se procuro a seta,

é porque caminho...

Aventar - Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

O meu tio teve a simpatia de divulgar o meu blog no Aventar, com um post muito especial. (Obrigado Tio !)
Não posso deixar de recomendar que visitem o Aventar,e já agora que leiam este post.
Aproveito para deixar aqui a prometida referência à Ana Isabel Monteiro. A verdade é que sem ela o Mentalfetaminas nunca teria voltado, porque foi ela que descobriu o meu mail de utilizador e a minha password (esquecidos por entre a confusão que é a minha cabeça!).
Obrigado Ana !


A partir de amanhã, está á venda o novo trabalho de Vanessa Paradis. Um Best of de novas versões e um inédito - Il Y A.
Vale a pena ouvir!

20.11.09

A hierarquia dos insectos

São dias em que me cansam as palavras "sábias" na boca dos incoerentes.

Movem-se na torre
escalando
a hierarquia dos insectos.

E não entendo
que passem pela vida
a segurar as gotas de chuva
feitas para cair
e lavar o substrato.

19.11.09

Quarta-rocaille-já-Quinta

Quarta-feira barroca.
Quarta-feira atenta, excitada, empolgante e cansativamente longa.
Uma quarta-feira que começa no CLF, passa pela igreja de S. Francisco, a Torre dos Clérigos, a igreja de Santa Clara, a igreja dos Terceiros do Carmo.
Uma Quarta-feira que erodiu o chão dos Aliados e da Trindade.
Uma Quarta-feira que quebra o mito do centenário e me fez comer um queque no Piolho - é verdade, um queque de chocolate no piolho.
A Quarta-feira de Vivaldi. A quarta feira que me sentou na lindíssima sala Suggia para assistir à Orquestra Barroca da União Europeia.
Foi uma quarta feira que, inesperadamente, me faz ler um excerto do Sermão da Sexagésima, como quem prega o pregador - Padre António Vieira.
Uma Quarta-feira que me faz, mais uma vez, encarar receios como quebra-inércia.
Um dia que desafia com deambulação pelo negrume breu intrínseco à invicta e o estilo alegremente pesado e sedutor do rocaille e do barroco.
Um dia que deu lugar à noite, na igreja das Taipas, no encontro de Taizé.
Uma Quarta-feira que acabou com um hamburger nas roulotes do S.João, quando já quase era outro dia.
Um dia tão longo que só pude escrevê-lo hoje.

17.11.09

Diário (P. II)

Puseram-me a pensar no tempo. Melhor: O professor José Rui pôs-me a pensar no tempo - E não, não estivemos a falar da chuva, nem do frio que piora as dores de coluna, da ponta da unha e faz doer os joanetes!
Fui levada naqueles raciocínios épicos que começam em "batatas" e acabam comigo a reflectir sobre "o Apocalipse", para aquela parte de mim que faz contagem decrescente para o Caminho. Quero caminhar, e sentir de novo a vontade de regressar para casa.
Mas voltando ao tempo - Há uns tempos, pedi ao meu tio "Os irmão Karamazov" de Dostoiévski.
Sempre que falamos de literatura ele pergunta-me " Já leste a Odisseia?", " Não tio, não li..." " E a ilíada? ". E começa-se a conversa teimosa da praxe. Ele a teimar por bem, eu a teimar por teima.
O meu tio acha que só perceberei verdadeira e intrinsecamente as grandes obras da literatura mundial depois de ler Homero, porque "a Odisseia de Homero é o alicerce fundamental da literatura ocidental".
Dei por mim a dizer que não lia a Odisseia porque não tinha tempo.
Não tinha tempo? Claro que tenho tempo, temos todos tempo.
O tempo faz-se, faz-se tempo! O tempo cultiva-se, treina-se, pára-se e perdura-se.
O tempo é o tempo, é sempre o mesmo tempo - O tempo que corre mas que está parado. O que varia é a maneira estúpida como o encaramos.


Publico hoje uma outra página de diário. Escrita, na altura, quase por encomenda depois da leitura da primeira. Foi-me pedido um texto que mostrasse a dualidade característica de um diário.


22 de Outubro de 2008
Meu diário,

Fiel companheiro de insónias, costumo confiar-te o sabor a novos mundos - os meus. Aqueles que experiencio em viagens insólitas. Na realidade sempre foi fácil, visto que o que descrevia era sempre o sabor a algo. Não o sabor a tudo, não o sabor de um mundo que reunia todos os elementos numa essência perfeita. Desta vez, para mim, até pensar sobre isto é complexo.
A forma como, em segundos, tudo em meu redor se condensou em espessas e pesadas gotas, atraídas pela gravidade e levadas para o submundo.
No fim, era só eu - leve e segura. Era só eu - feliz.
Nada mais existia porque nada mais havia para existir. Ali, assim, só eu fazia sentido. E aí está, para mim, o impensável: Num espaço vazio, habitado por ninguém mais senão eu, senti pela primeira vez sabor a tudo. E era tudo tão bom. Senti o sabor a mim, e comecei a amar.
Percebo agora que o expoente da existência está em sentirmo-nos bem quando nada mais existe. Está no sabor a tudo, quando já sentido estando sós. E esta é a platónica perfeição. A perfeição que na verdade é imperfeita. Porque nos permite o sabor a tudo, mas apenas quando estamos bem com o nada.
No meu regresso venho uma pessoa diferente, uma pessoa melhor. Pronta para novos mundos. Em busca de, no fundo, compor melhor o meu.
Prometo levar-te comigo. Afinal , que mais és senão uma parte de mim ?
Boa noite, meu diário. Boa noite.

15.11.09

Diário (P. I)

Gosto destas tardes de Domingo, em que a chuva (me) bate na clarabóia do sótão que habito.
São dias em que não suportaria calor para além do meu, e me lembro da música "Chuva".
« Embora lave o medo que há do fim,
a chuva apaga o fogo que há em mim
Ouço a voz de quem me quer tão bem
E fico a ver se a chuva a ouvirá, também... »



Pediram-nos uma página de diário. Não fui capaz de documentar um dos meus dias, portanto, inventei alguém e documentei um dos seus:

19 de Outubro de 2008

Meu diário,

Hoje foi mais um dia normal, de uma semana normal, da minha vida que é igualmente normal. Não é natural, mas estou farta de normalidade. Não é suposto, mas preferia a fúria de um vento forte, ou uma onda que engole tragicamente tudo em meu redor, do que esta normalidade que me consome, continuamente. Parece que envolve e embala, numa dança cuja melodia se repete e na qual executo sempre o mesmo passo, a solo.
Não há gota da chuva que bata na janela, ou vento que assobie bruscamente que me exalte.
Meu querido, eu quero sentir-me exaltada!
Na verdade, quero ser em mim mais do que aquilo que sou, nada do que querem que seja...
Amanhã escreverei, numa repetição infinita. Talvez um dia me vejas livre nas letras que escrevo, talvez um dia cheguem letras de mudança.
Boa noite, vou para o amanhã - o amanhã de ontem, o de hoje e o de sempre. Boa noite.

14.11.09

Insuficiência Crónica

No seguimento do estudo do texto jornalístico, a Português, pediram-nos uma crónica.
Escrevi isto, e continuo na incerteza sobre se cumprirá standards.
Na verdade não me importo muito - Gosto dela, simplesmente.
Chamei-a "Insuficiência Crónica".

Acordou e foi tomar um duche. é impressionante como a cada 30 segundos ela aumenta a temperatura da água, nunca está suficientemente quente. Quando nada mais há para aumentar, ela sai. Vestiu-se e segue para mais um dia de trabalho. Pergunta-se se terá dinheiro suficiente para o pequeno almoço. Era de facto uma questão pertinente, dado que o preço do café da esquina (café, esse, que nem suficientemente cheio é) já aumentou para o dobro desde o início do ano.
Pelos vistos não chegou suficientemente cedo, perdeu o autocarro. Terá tempo suficiente para apanhar o próximo? Melhor será ligar a avisar que chegará atrasada. A voz mecânica da operadora explica que a ligação não pode ser efectuada, visto que o saldo é insuficiente!
Digita no telemóvel uns caracteres que espera serem suficientes para compor uma mensagem decente. Como qualquer sujeito sem prática na coisa, ainda vai na primeira palavra quando chega o autocarro seguinte. Nunca é suficientemente rápida! A culpa não será só sua. é destas tecnologias que ninguém entende. Como será possível escrever em tal aparelho - que nem suficientes teclas tem para cada letra do alfabeto?
No autocarro, fala-se das vitórias insuficientes do porto, da insuficiência renal da D.Joaquina e da insuficiência cardíaca da cadela da Albertina. Fala-se dos catraios, que não têm educação suficiente, fala-se do dinheiro, que não chega para que o povo se sustente, do que nunca há, e do que faz com que nunca ninguém esteja contente.

Intodução ao Mentalfetaminas

Como nos livros o prólogo, nos álbuns as intros, o "Mentalfetaminas" terá a sua introdução.
Porquê "Mentalfetaminas"? E porque não?! "Mentalfetaminas" em substituição às anfetaminas...
A intenção é que as viagens pelos meus sítios sejam mais do que uma boémia "trip" proporcionada por qualquer substância. Que sejam boémias, sim, trips, talvez (dependendo do que cada um considera), mas que no fundo, sejam mais duradouras.
Um blog pessoal, sobretudo isso , um blog pessoal.
Com o objectivo de que na vossa leitura, os minutos estiquem e não que se queimem, e que entendam cada frase, susceptível de interpretação.
Em suma: Bom proveito!

Bem-vindos ao "Mentalfetaminas"